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By Ferramentas Blog

Tipos de acoplamento entre as caixas do Niva



O objetivo desta postagem é mostrar as opções mais comuns para acoplar a caixa de cambio a caixa de  transferência  do Niva, tema importante que pode fazer a diferença no que se refere a minimizar  as famosas e indesejadas vibrações do carro.

Serão abordadas as seguintes opções de acoplamento:


  1. Cruzeta + União Elástica;
  2. Homocinética simples ( sem União Elástica);
  3. Homocinética + União Elástica - Original Lada;

O conteúdo e conclusões que se seguem são baseados em minhas experiencias e também com a opinião de outros Niveiros e mecânicos. Agradecimentos especiais aos mecânicos Flugêncio Ferreira, Rogério Bacelar e Lucas Maricate pela costumeira atenção dispensada.




  1. 1.  Cruzeta + União Elástica 




Originalmente o acoplamento entre a caixa de cambio e transferência dos Nivas até 1994 é composto por dois componentes principais, uma cruzeta e uma união elástica (borrachão), conforme fotos abaixo.



    1 - Caixa de cambio;
    2 - Caixa de transferência (redução);
    3 - União elástica (borrachão) e Cruzeta;
    4 e 5 - Cruzetas frontais dos Cardãs;
    6 - Cardam dianteiro;
    7 - Cardam traseiro.





É notório que essa configuração de acoplamento não consegue absorver de maneira muito eficiente as movimentações naturais das caixas o que acaba incorrendo em  certo nível de vibrações, notadas principalmente na caixa de transferência e normalmente em velocidades ou rotações bem definidas. Alguns Nivas vibram mais, outros menos, diria que são raros os carros que não apresentam este problema, portanto, considerado cronico no Niva.

Este modelo de união, mesmo com as deficiências citadas é o tipo mais usado na frota de Nivas do Brasil, devido que a maioria dos carros rodando são de fabricação anterior a 1995.

Seguem algumas recomendações para tentar melhorar o desempenho do conjunto e minimizar as vibrações.


  • O alinhamento das caixas deve ser o mais perfeito possível;

  • O assoalho não deve estar podre principalmente próximo aos prisioneiros de fixação das caixas. A rigidez do assoalho é muito importante. Em casos do assoalho estar muito comprometido, existe um suporte fabricado pelo Geniva que é preso nas longarinas do Niva, o qual facilita muito o trabalho de alinhamento das caixas;

  • Os prisioneiros de fixação das caixas  não devem estar com as roscas espanadas. Veja detalhes AQUI;

  • Uma boa pratica, para Nivas com assoalho e prisioneiros em bom estado e caixas minimamente alinhadas é usar o suporte traseiro da T-Case by Geniva. Veja detalhes AQUI;

  • O borrachão deve estar em perfeito estado, sem trincas, cortes e danos;

  • Se necessitar trocar o borrachão, procurar um fornecedor confiável. De nada adianta alinhar perfeitamente as caixas e colocar um borrachão paralelo desbalanceado;

  • Atualmente existem no mercado os borrachões ditos como reforçados. Pra quem faz trilhas pesadas pode ser uma opção interessante, porem, a maior rigidez da peça tende gerar um pouco mais de mais vibrações;

  • Caso constatar folga ou danos na cruzeta a mesma deve ser consertada ou trocada;

  • Engraxar periodicamente a cruzeta. Isso é importante;

  • Nunca monte o conjunto sem o chamado KIT anti vibração. As fotos a seguir mostram os componentes desse KIT.















Se tudo estiver adequado conforme as explicações acima é bastante provável que o resultado deva ficar bom, logico, dentro da expectativa normal do Niva.


2.  Homocinética simples ( sem União Elástica)




Nos idos de 2004, baseando em partes na solução adotada pela Lada para os Nivas a partir de 1995, foi lançado no mercado nacional por Rogério Bacelar e apos copiado por alguns outros fornecedores, uma união que prometia melhorar o problema das vibrações, que, basicamente era uma homocinética da linha VW montada entre duas peças usinadas. De um lado uma flange para ser presa a caixa de transferência e do outro um adaptador com orifício ranhurado para ser acoplado ao eixo de saída do cambio. Uma necessidade da adaptação um tanto radical era diminuir o comprimento do eixo de saída do cambio em 10 mm, visando eliminar qualquer possibilidade de interferência do eixo com o interior da homocinética.

Vale mencionar que já a muitos anos esta solução não é mais comercializada e caiu quase em desuso.

As fotos a seguir mostram os detalhes da união homocinética, inclusive, em detalhe, o eixo do cambio cortado.







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E porque esta solução deixou de ser fabricada ?

Primeiro, vou compartilhar minha experiencia com uso da peça. Comprei de Rogerio Bacelar e desde que instalei em meu Niva  não fiquei totalmente satisfeito com o resultado, que eliminou completamente as vibrações em retomadas, arrancadas em baixas velocidades, porem em "altas" velocidades  elas diminuíram, mas não desapareceram.
Como eu sempre usei o carro na cidade, eventualmente em trilhas  e  em operações de colocar e retirar meu barco da água, ou seja, sempre em velocidades baixas ou moderadas, o beneficio foi inquestionável. Usei a peça por mais de dez anos e neste período nunca tive problemas com o cambio, nem com a caixa de transferência, tão pouco com a própria união, exceto pela troca da coifa por três vezes, inclusive, este componente é o principal ponto fraco da peça, ou seja, na hipótese do Niva ser usado em viagens longas e frequentes cuja velocidade de cruzeiro gire em torno de 80 a 110 Km/h, creio que este modelo de união não é adequada, principalmente devido a coifa de borracha não suportar a alta rotação e temperatura do local, bem maior que nas rodas, local para onde a peça da VW foi originalmente projetada para trabalhar.

O vídeo a seguir mostra a União Homocinética funcionando em meu Niva durante percurso de cidade, ou seja, em velocidade baixa e moderada.






Observem que a peça funcionava satisfatoriamente, lembrando que o vídeo foi gravado a baixas velocidades, em condições de cidade. Vale ressaltar que resultado que obtive não foi conseguido por alguns outros Niveiros, com historias bem diferentes. Li relatos da completa insatisfação de alguns, alegando a piora nas vibrações, inclusive com casos de quebra do cambio. Hipoteticamente imagino que tais problemas poderiam estar relacionados com o excesso de desalinhamento entre as caixas. Na verdade essa peça não compensa o desalinhamento excessivo, principalmente em velocidades maiores, sei isso porque testei na pratica, portanto, Nivas com assoalho surrados e caixas desalinhadas, com certeza não obtiveram bons resultados. Outra hipótese possível seria um defeito na usinagem da peça no tocante ao balanceamento e centralização, ou seja, em ambos os casos é certo que o uso dessa união homocinética pioraria as vibrações e a reverberação gerada poderia ser danosa, principalmente para o cambio, visto que a ausência do elemento elástico (borrachão) agravaria as consequências, ou seja, se somarmos a isso os problemas com a coifa, dai estão as razões para esse tipo de adaptação estar em desuso atualmente.


Particularmente desaconselho totalmente o uso dessa peça, pois se comparada com a união original (Cruzeta + Borrachão) a redução das vibrações obtida não é significante a ponto de justificar o investimento. Se a união original estiver bem alinhada e a condição geral do assoalho e demais peças giratórias forem  boas, o resultado final é bastante satisfatório. 






3.  Homocinética + União Elástica - Original Lada




Na tentativa de minimizar as vibrações, a Lada modernizou o acoplamento a partir de 1995, basicamente substituindo a cruzeta por uma união homocinética, mas manteve o acoplamento elástico no sistema. Por si só esta modernização foi capaz de diminuir as vibrações, mostrando que o uso conjugado da homocinética com a união elástica (borrachão) é sem duvidas a solução técnica  mais adequada. A boa  noticia é que é possível instalar esta peça nos Nivas anteriores a 95, que alias são a maioria rodando no Brasil. A noticia não tão boa é o alto custo da peça colocada no Brasil.

O uso do elemento elástico (borrachão) em conjunto com a homocinética com certeza deixa a peça muito mais segura e performática. O borrachão cumpre as funções de atenuar as ondas de vibração que chegariam ao cambio, alem de se deformar ligeiramente em velocidades maiores, compensado as movimentações radiais (laterais) entre as caixas. A homocinética também trabalha radialmente junto com o borrachão, mas cumpre com muito mais eficiência a compensação dos movimentos axiais das caixas, aqueles no sentido frontal / traseiro e vise versa. Um outro detalhe muito importante é que a coifa usada nesta peça é feita para suportar altas rotações e temperaturas. Muito mais rígida, construída com um composto elástico adequado para a aplicação. Desconheço relatos de danos precoces e frequentes nessa coifa, portanto, não resta duvidas, esta união é perfeita para aqueles que buscam  usar o Niva em viagens longas com velocidades de cruzeiro maiores e valorizam o conforto de guiar com o menos vibrações. Vale lembrar que a peça por si só não faz milagres e o bom resultado estará relacionado ao correto alinhamento entre as caixas e da condição geral das peças rotativas quanto a balanceamento, alinhamento e folgas.
União Homocinética + borrachão original Lada





10 comentários:

  1. Continue o texto amigo.
    Alexandre
    Curitiba-PR

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  2. Alexandre

    Para tal estou dependendo e aguardando informações do fornecedor nacional.

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  3. Otima explicação. Estou curioso em saber sobre a opção fabricado no Brasil. Se for legal quero comprar. Muito agradecido pelo excelente site, muito coisa pra quem gosta do Niva, surpreendente!!! Valeu!!! Reiny

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  4. Parabéns pelo relato. Bem explicito e conciso.

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  5. Os modelos citados do Rogério Bacelar eram os antigos, o que ele fabrica hoje segue o modelo Homocinética + junta elástica.

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  6. Sim Paulo. Atualmente ele só fabrica a união composta pela homocinética + borrachão e é essa opção nacional que pretendo testar e colocar aqui no blog.

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  7. e normal a união elastica trincar com 6 messes de uso?, sistema homocinetica + uniao elastica adiquirido com o rogerio

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  8. Não é normal. Verifique se as caixas não estão muito desalinhas gerando excesso de vibrações. Se o uso é em trilhas pesadas, o esforço pode antecipar problema. Vc comprou a homocinética + união do Rogério. Sabe me dizer se a união elástica (borrachão) é a original do carro e somente a homocinética é de fabricação do Rogério?

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  9. Boa tarde pessoal, não sei se aqui é lugar pra isso, mas me ajudem... meu niva parou... está com motor novo AP 1.8, embreagem nova, mas tava andando com ele normal desliguei a hora que liguei ele não anda... passo as marchas sem embrear com ele ligado, e ele não da sinal, acelero tem aceleração e tudo mais... parece que motor e cambio não conversam... estão separados... embreagem temo pressão normal no pedal, cambio para nas marchas (trambulador ok) Alguém já viu isso??? penso que seja algo nas partes de transmissão... me ajudem por favor...

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  10. Oi Jeferson, desculpe-me a demora, somente agora vi sua mensagem. Se o acoplamento entre as caixas estiver girando pode ser problema caixa de transferência, mas pelo seu relato da impressão que é algo na embreagem ou no cambio. Infelizmente tem que baixar o cambio e retirar embreagem para descobrir. Para saber sobre embreagem para Nivas com motor AP, acesse: http://jipeniva.blogspot.com/2010/12/disco-e-plato-para-niva-com-motor-ap.html

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