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By Ferramentas Blog

Dicas para comprar um Niva



Não tenha pressa, procure com calma e lembre-se que nem sempre preço baixo é sinônimo de bom negócio, principalmente se tratando de um Niva.

As aparências às vezes enganam. Existem Nivas mascarados atrás de acessórios e adesivos, porém, em péssimas condições mecânicas e estruturais. Tenha em mente que acessórios são facilmente comprados e instalados, já um Niva com mecânica e estrutura muito ruins, dificilmente ficará confiável, mesmo gastando muito dinheiro.

É muito comum o uso do Niva em trilhas, inclusive as chamadas pesadas, que exigem bastante do conjunto mecânico e estrutural do carro. Uma característica do Niva é que seu chassi é um monobloco, o qual por concepção torna o carro menos resistente se comparado a Jipes montados sobre um chassi rígido, porém, a valentia do Niva em transpor obstáculos leva alguns proprietários a exceder certos limites, fadigando gradativamente alguns componentes do Jipinho.

Não é regra, nem exceção, mas, existem Jipes de trilhas, incluindo Nivas, que não tem a manutenção corretiva e preventiva que a atividade requer. Não é raro um Niva ser colocado à venda carregando com si uma herança de desgastes e descuidos com manutenção que, mais cedo ou mais tarde, devem se manifestar em forma de defeitos. O ideal é que o novo proprietário esteja ciente deste fato e da quase certeza que investimentos em manutenção e ajustes na viatura serão necessários. Uma situação que pode ocorrer durante o processo de compra é o comprador despertar interesse por Nivas preparados para trilhas, os quais podem ter uma aparência bastante atrativa, com suspensão levantada, pneus grandes, motorzão, guincho, etc. Isso acaba encantando o pretendente que negligencia o outro lado da moeda. Mas, para não generalizar, existem ótimos Nivas preparados para trilhas, com manutenção em dia e acessórios que os tornam uma boa opção de compra. Tudo é uma questão da correta avaliação e da finalidade do carro. Se a intenção é fazer trilhas, comprar um carro já preparado pode ser o ideal, provavelmente o mais econômico. Tenha em mente que trilhas pesadas são normalmente sinônimo de gastos com manutenção, faz parte da atividade, principalmente se o proprietário não dominar nada de mecânica e depender em tudo de oficinas mecânicas. 

Vamos supor, por outro lado, que o Niva a venda nunca tenha feito trilhas, seja totalmente urbano, o típico carro de mulher. Teoricamente seria uma boa opção de compra, porém, mesmo assim, alguns aspectos devem ser considerados. Comecemos pela idade do carro. A grande maioria dos Nivas vendidos no Brasil datam de 1990 e 1991, daí para frente as vendas declinaram e raramente são encontrados Nivas posteriores a 1995, portanto, são carros já bem rodados e consequentemente com desgastes naturais devido ao tempo de uso. Some a isso a carência de mecânicos especializados no Brasil, peças de procedência e qualidade nem sempre confiáveis, possibilidade de adaptações grotescas, etc. Logicamente o cenário aqui desenhado seria um extremo, quase um exagero, mas, a intenção é mostrar que as variáveis citadas são reais e devem ser ponderadas durante a avaliação do carro e assim evitar dissabores. 

Inclusive, falando em dissabores, não é raro relatos de ex-Niveiros frustrados com o carro, enfatizando arrependimento pela compra. Tenha em mente que o Niva não é igual a um carro de linha comum, por exemplo, um Gol. Muito provavelmente serão necessários alguns acertos e melhorias mecânicas, nada diferente se comparado com um jipe Willys, por exemplo. Mas, voltando as frustrações ora citadas é quase certeza que elas se deram  devido a condição mecânica do Niva estar muito ruim e principalmente porque o comprador não estava ciente dos fatos aqui relatados, dos riscos e das possíveis necessidades de ajustes mecânicos pós-compra, daí a frustração. 

A intenção do Blog não é obviamente desestimular ninguém, pelo contrário. O objetivo é dar ao futuro Niveiro alguns subsídios, mas principalmente o entendimento que se trata de um veículo que na maioria das vezes vai exigir um pouco de paciência e dedicação do novo dono, mas, não se assuste. Se você não der a sorte de encontrar um em perfeito estado, saiba que é perfeitamente possível e viável deixa-lo em boas condições, portanto, comece pela correta avaliação. 

Niveiros fanáticos, aos quais me incluo, já passamos por alguns perrengues com o carro, algumas provações de paciência, mas, contabilizando as frustrações e alegrias, o saldo normalmente é positivo. Para muitos, além de meio de locomoção e lazer, esse carro torna-se um grande hobby, uma paixão, difícil até de explicar racionalmente, os mais emocionais chegam a dizer que o Niva tem alma, tamanho o fanatismo pelo jipinho russo.

Para maiores informações acesse sites, blogs e fóruns sobre o Niva e procure outras opiniões para entender as virtudes e deficiências do carro.




Nivas Originais


É possível e viável tê-los? 

Diria, com certeza, sim. Não são raros os proprietários que prezam pela originalidade do carro e conseguem êxito devido a melhora na oferta e na confiabilidade das peças disponíveis atualmente no mercado, principalmente pela possibilidade da importação direta via Internet. Algumas empresas nacionais, até mesmo pessoas físicas se utilizam deste recurso para revender as peças no Brasil, portanto, para aqueles que buscam originalidade, saibam que é sim perfeitamente possível e a maioria das peças tem preços razoáveis e até compatíveis com algumas opções nacionais. Para aqueles que vivem nos grandes centros, próximo de fornecedores de peças e principalmente de mecânicos especializados no Niva, creio que seja mais fácil e até o certo manter o carro o mais original possível, sem contar no "grande barato" que deve ser manter o Nivinha igual ao projeto made in CCCP.

Nivas não Originais


Adaptações são muito comuns em Nivas e em algumas situações, dependendo da peça adaptada e da qualidade do serviço executado, até melhoram o carro. Existem algumas peças nacionais que são compatíveis com o Niva, as chamadas "Plug in Play" e outras que para adapta-las necessitam de ajustes, desde pequenos até grandes trabalhos de adaptação.
Existem no mercado diversos produtos dedicados a nacionalizar e até otimizar determinados componentes do Niva, os quais serão aqui oportunamente abordados, com destaque aos produtos fabricados pelo camarada Geniva, figura icônica na comunidade Niveira, não só pelas soluções de sucesso que desenvolve, mas também pelo carisma e atenção que despende às pessoas que o procuram, demonstrando grande paixão pelo que faz. 



Oficina do Camarada Geniva

Particularmente optei pelas adaptações devido ter comprado meu Niva já com o motor AP instalado, o que de alguma forma acabou me incentivando a fazer outras adaptações, mas, limito-me naquelas que não comprometam as características Off-Road do carro, como a tração 4x4 full time, redução, bloqueio, além da suspensão independente com molas helicoidais, ou seja, somados são a alma do Jipe Russo. 

Concluindo, original ou não, o importante é ter um Lada Niva na garagem.



Seguem outras dicas e testes para auxiliar na avaliação.




Vibrações

É normal existir um pouco de vibração nas alavancas da caixa de reduzida, dificilmente encontrará um Niva livre de vibrações, portanto, fique atento a excessos. Avalie a condição em baixas e em “altas” velocidades, normalmente as vibrações se acentuam numa faixa bem definida. Faça o teste também arrancando com o carro em subidas e observe se a caixa de reduzida não trepida muito. Lembrem-se, é comum existir um pouco de vibração, porém, nada muito acentuado. Convém também fazer outro teste com o carro parado. Posicione a alavanca de reduzida em neutro, engrene o carro até a quarta marcha e verifique se ocorrem vibrações em altas rotações.


Caixa de Marchas

Dirija o Niva em uma rua plana, acelere e tire o pé abruptamente. A alavanca de marchas não deve pular sozinha para ponto morto. Faça isso em todas as marchas, observando também se as marchas não raspam excessivamente quando engatadas.
Com o carro desligado, deixe a alavanca de reduzida em neutro e verifique se todas as marchas engatam e desengatam satisfatoriamente, mesmo sem pisar na embreagem, exceto a marcha ré.


Caixa de Redução

Teste o funcionamento da redução dirigindo o carro em primeira marcha reduzida e logo após, conduza o carro sem a reduzida acionada, você deve perceber claramente a diferença. Com a reduzida acionada o carro ganha força e perde velocidade final evidenciando o correto funcionamento do sistema. Dirija com a reduzida acionada e engrene todas as marchas e observe ruídos anormais durante o percurso.


Bloqueio do Diferencial Central

O bloqueio do diferencial central é útil para situações Off-Road de muito baixa aderência. O recurso faz com que a potência do motor seja distribuída para as quatro rodas de maneira igual, auxiliando o carro a vencer o trecho com baixa aderência.
É comum certa dificuldade para engrenar e desengrenar a alavanca de bloqueio. Uma vez engatado, a luz amarela do bloqueio deve acender. Dirija em linha reta, isso é importante para evitar danos ao sistema e observe a existência de barulhos ou estalos na aceleração e desaceleração do carro. Não esqueça de desbloquear o carro após o teste.
Outro teste. Com o carro desbloqueado, luz amarela apagada, levante uma das rodas do Niva usando um macaco hidráulico com rodinhas e tente sair lentamente com o carro. Note que a potência é direcionada apenas para a roda levantada, o que faz o carro não se movimentar. Agora, ainda com uma roda levantada, acione o bloqueio do Niva e tente com muito cuidado sair com o carro. Note que Niva tende a se movimentar, evidenciando que o bloqueio está funcionando adequadamente.
É muito importante que o bloqueio somente seja usado em situações de muito baixa aderência ou num terreno muito irregular que deixe uma das rodas suspensa, por exemplo. Outro detalhe é conduzir o carro sempre a baixa velocidade e em linha reta, quando bloqueado. Uma vez transposto o terreno com baixa aderência, jamais esqueça de desbloquear o carro, sob risco de danos mecânicos.

O vídeo a seguir mostra o teste com o macaco hidráulico, acima relatado.



 




Estrutura e Funilaria

Verifique primeiramente o estado geral do carro quanto a batidas fortes e pontos de ferrugem aparentes. Atenção também para os seguintes pontos: 
Assoalho próximo à caixa de reduzida e câmbio. Trincas acentuadas ou sinais de solda nessas regiões podem indicar que o carro foi solicitado além dos limites ou é consequência de vibrações acentuadas, principalmente nos pontos sinalizados nas fotos 1 2.


Foto 1

 
Foto 2


Um agente químico que merece atenção especial é o fluido da embreagem e de freio, o qual é extremamente corrosivo e ataca a lataria do carro quando ocorrem vazamentos. Verifique o estado da lataria nas proximidades dos cilindros. Ambos ficam localizados na parede corta fogo, próximo ao motor, veja na foto 3. Verifique também por dentro do carro, se possíveis vazamentos de fluido não corroeram a lataria naquela região.




Foto 3  - Cilindros hidráulicos de freio e embreagem
Inspecione o alojamento da bateria, também costuma apodrecer pela ação da solução ácida da bateria.
Verificar o estado geral das borrachas dos para-brisas e portas e se há ferrugem próxima a elas. Verifique também a existência de ferrugem ou massa plástica por baixo da porta.
Inspecione com atenção a região onde o cano de escape passa próximo ao assoalho, diria que é um local muito susceptível a ferrugem, foto 4. O calor e a umidade propiciam o aparecimento de muita ferrugem e o consequente o comprometimento do assoalho nessa região.
Foto 4



Uma das partes estruturais mais importantes do Niva são as longarinas, fotos 5 e 6. Verifique cuidadosamente a condição delas, não devem estar excessivamente tortas, amassadas e originalmente são da mesma cor do carro. Desconfie de Nivas pretos por baixo, talvez estejam bem podres ou passaram por grande reforma. Se a reforma foi bem executada, menos mal. Um sintoma comum de reforma malfeita é o desalinhamento das caixas devido ao erro de posicionamento dos prisioneiros de fixação das caixas, fotos 1 e 2. Isso normalmente pode intensificar as vibrações no carro.


Foto 5




Foto 6





Sistema de Direção


Durante a avaliação, para não estranhar e achar que existe um problema com o sistema de direção do Niva é recomendado fazer o teste com o carro em movimento, o que minimiza a sensação de volante pesado.
O setor ou caixa de direção original é em minha opinião subdimensionada para o Niva, principalmente porque o carro pode ser exposto a situações Off-Road que sobrecarregam este componente. Não é raro encontrarmos Nivas com o volante pesado e com folga excessiva devido ao desgaste prematuro desta peça. Outro detalhe que antecipa problemas na caixa de direção é usar pneus muito largos e pesados, os quais forçam não apenas o caixa como também outros componentes relacionados ao sistema de direção, transmissão e suspensão do carro.
Verifique a integridade do local onde a caixa de direção é fixada a estrutura do carro, são três parafusos de fixação, foto 7. Movimente a coluna de direção para cima e para baixo, ele não deve parecer solto.


Foto 7


Quando a caixa original está em boas condições e os pneus não são exageradamente grandes e largos, o volante não deve ser muito pesado nem ter excesso de folga. Meu Niva, por exemplo, usa até hoje caixa original, que aliás apresenta sinais de fadiga, mas, ainda assim se mostra em condições razoáveis de uso, perceba que é possível conviver com a direção um pouco pesada até o conserto ou, se preferir, pode optar por algumas soluções alternativas, conforme segue.

Existem Nivas equipados com caixa de direção conhecidas como Francesas ou Gemmer, a qual é rolamentada e tem uma relação de engrenagens que deixa o sistema bem mais aliviado. É sonho de consumo para nos Niveiros, porém, a grande maioria dos Nivas a venda tem o sistema com setor simples, citados anteriormente. Uma caixa francesa em boas condições, portanto usada, pode custar mais que o dobro de uma caixa simples original e nova. 

É comum Nivas com direção hidráulica adaptadas. O modelo mais utilizado é a direção hidráulica do VW Santana. Neste caso, observe com atenção o kit e a qualidade do serviço executado devido obviamente ao impacto que esse tipo de adaptação pode ter na segurança do veículo. Os kits´s mais famosos do mercado são fabricados pelo Geniva e por Rogério Bacelar, a foto 8 mostra os componentes do kit  Geniva.



Foto 8 - Kit by Geniva


Outra opção, não tão comum, mas possível de se encontrar nos Nivas é a adaptação do setor de direção do Maverick. Essa adaptação alivia bastante a direção do Niva, mas, em contrapartida, por ser um sistema mecânico muito desmultiplicado, demanda mais voltas no volante para uma mesma resposta nas rodas, o que pode ser perigoso em algumas situações. 


Sistema de Embreagem 



A embreagem do Niva não é dura nem pesada, pois seu funcionamento é hidráulico, porém, se comparada a um carro de passeio com embreagem também hidráulica, tende a ser um pouco mais pesada, mas nada que chame muito a atenção. Observe se não existe vazamento de fluido nos cilindros mestre (superior) e inferior, conforme fotos 03 e 09.


Foto 09































































Para avaliar a condição do disco e plator da embreagem, freie o carro através do freio de mão, engrene primeira marcha e tente sair. Observe que o sistema não deve patinar, ou seja, se o disco e plator estiverem em boas condições o carro deve conseguir vencer a força de frenagem. Numa subida bem íngreme procure embrear e sair com carro algumas vezes, verificando se o sistema não tende a patinar, vibrar ou fazer barulhos anormais. Num carro de passeio comum, quando conseguimos cantar os pneus entre as trocas de marcha é sintoma que a força do motor está sendo imediatamente transferida para o câmbio e consequentemente para as rodas, por outro lado se ocorrer um atraso, perceptível até no ruído do motor, pode ser indicio de desgaste do disco e plator, causando um patinamento.  No Niva podemos tentar fazer algo similar, difícil será cantar os pneus dele, 😄😄😄, mas, dá para ter uma ideia se a transferência de força está ocorrendo satisfatoriamente.
Observe se a altura do pedal não está nos extremos, o ideal é nem muito alta nem muito baixa. Talvez possa ser apenas um simples ajuste de curso, mas, também pode indicar um sintoma de mal funcionamento da embreagem.

É comum nos Nivas a adaptação do sistema de acionamento de embreagem puramente mecânico em substituição do original hidráulico e, dependendo do kit usado e da qualidade do serviço de  instalação, esta adaptação pode ser considerada uma melhoria importante no carro. A foto 10, mostra o Kit de acionamento mecânico by Geniva.



Foto 10



Freios

Mesmo utilizando acionamento hidráulico, servo freio a vácuo e discos nas rodas dianteiras, o sistema de frenagem original do Niva não é considerado um primor de desempenho, porém, nada que comprometa a segurança do veículo, por exemplo, meu Niva utiliza até hoje o sistema original made in Russia.
Verifique se durante a frenagem o carro não tende a puxar para os lados, indicando que a pressão de frenagem está desigual entre as rodas. O pedal de freio deve responder rapidamente ao comando e a força aplicada não pode ser excessiva, nada diferente do que qualquer outro veículo.
O Camarada Geniva comercializa um kit que potencializa os freios do Niva o qual basicamente adapta o servo freio do Corsa e o cilindro mestre Uno no Niva, com resultados relatados como muito satisfatórios, foto 11.


Foto 11


Sistema de Arrefecimento

O sistema original de arrefecimento do Niva é uma tecnologia ultrapassada, semelhante ao usado nos jipes Willys, por exemplo, com a tendência de apresentar muitos problemas. Este sistema depende muito do correto funcionamento da tampa do radiador, que cumpre as funções de válvula de alivio e admissão de agua do e para o tanque de expansão. Devido a deficiência citada é muito comum a adaptação do sistema selado de arrefecimento, que basicamente é uma cópia do que é usado nos carros atuais. Um detalhe importante, trata-se de uma melhoria de baixo custo para implementação.
Se o arrefecimento do Niva estiver funcionando bem, a temperatura no indicador do painel deve se estabilizar em torno de 90 a 95C. O sistema original usa uma ventoinha mecânica ligada a um ponto de rotação do motor. É bastante comum ver Nivas com uma ou duas  ventoinhas elétricas auxiliares adaptadas no radiador. Por um lado, desconfie, talvez o carro tenha algum problema de arrefecimento, daí a tentativa de melhorar com o uso das ventoinhas. Por outro lado, a ventoinha elétrica não tem contraindicações e pode ser útil em situações de baixa rotação do motor. 

Um detalhe fundamental para o bom funcionamento do motor é a correta temperatura que o mesmo trabalha. Engana-se quem pensa que quanto mais frio melhor e, partindo dessa teoria, muitos retiram a válvula termostática do carro, o que anula o controle de temperatura da agua e consequentemente do motor, acarretando aumento do consumo de combustível, diminuindo o desempenho do carro e acelerando o desgaste do motor. Creio ser altamente recomendado o uso da válvula termostática, inclusive em jipes. Se o motor está superaquecendo, a causa pode ser as mais diversas. Retirar a válvula não elimina o problema, apenas o máscara.
 
Veja detalhes do sistema de arrefecimento selado, clicando AQUI.


Pneus e Suspensão 



Originalmente os pneus do Niva eram o modelo Diagonal 6.95 da Magion, o qual foi descontinuado no Brasil já a muitos anos. A opção disponível com o mesmo tamanho é o excelente Geolandar A-T/S, medida 175/80R16, fabricado pela Yokohama. Acontece que este modelo tem custo elevado e é difícil de se encontrar no mercado, o que leva muitos Niveiros a optarem por medidas incompatíveis, de diâmetro e largura bem maiores que as originais, fato que normalmente acarreta na interferência dos pneus com a lataria do carro e dependendo do tamanho escolhido, apenas  em situações Off-Road onde o curso da suspensão é mais exigido, por exemplo.

 
Veja opções de pneus, clicando AQUI

Para minimizar este efeito é possível calçar a suspensão do Niva de forma a levanta-la e assim diminuir as chances de as interferências ocorrerem. Esta pratica é bastante comum, mas, particularmente diria que exagerar na altura dos calços pode comprometer a vida útil das homocinéticas do Niva. Um limite seguro seria por volta de 2cm, mas, a maioria dos Niveiros divergem e chegam a levantar o carro em 5cm ou mais. Outra pratica para evitar as interferências é rebater, recortar ou mesmo reconstruir os para-lamas do carro, solução que deveria ser feita por um funileiro talentoso, para não descaracterizar muito a aparência do carro. Em relação as opções de pneus disponíveis no mercado brasileiro, uma excelente medida é a 215/65/16, que tem a mesma altura do original, porém é 4cm mais largo. Se o Niva for para uso urbano o tamanho citado fica perfeito, não toca na lataria, dispensando quaisquer alterações na suspensão ou nos para-lamas.


Motor e agregados

Na hora de avaliar a saúde do motor e da carburação o ideal é consultar um mecânico de sua confiança. O motor original do Niva é muito bom, extremamente resistente, porém, os componentes agregados ao motor como, carburador, distribuídos, platinado, rotor, alternador, motor de arranque, etc, devem ser motivo de especial atenção, principalmente a carburação e distribuição. Observe com atenção as possíveis adaptações e procure pesquisar na Internet se existe histórico positivo, ou seja, se a adaptação é tradicional e funciona adequadamente em outros Nivas.
Quanto ao consumo de combustível, um Niva com motorização original a gasolina deve fazer no mínimo 5km/l na cidade. Tudo depende da condição do motor, da carburação e da medida dos pneus. Meu Niva com motor Volkswagen AP 1.8 fez 9km/l, aferidos na cidade, sem transito intenso, na época com pneus originais 6,95, carburador Webber LTDZ limpo e bem regulado e ponto do distribuidor regulado em aproximadamente 12 graus.
E por falar em motor AP, essa é uma das adaptações mais comuns e também polêmica. O Volkswagen AP é sem dúvidas o motor mais utilizado, inclusive existi no mercado um kit dedicado a essa adaptação, porém, alguns Niveiros, principalmente os mais puristas, torcem o nariz e preferem a motorização original russa. As alegações são, por exemplo, a descaracterização do carro, o custo elevado devido à complexidade do serviço, a confiabilidade do novo conjunto motor / embreagem. etc. Realmente o custo fica um pouco alto devido a necessidade da aquisição do motor completo, da embreagem nova, do kit de adaptação e obviamente da mão de obra de instalação e ajustes. Em relação a confiabilidade, o que posso dizer é que tenho instalado em meu Niva a motorização AP 1.8 funcionando a anos e estou satisfeito com os resultados. Na verdade, se for usado o kit de adaptação certo, a embreagem adequada e muito importante, se o serviço de adaptação foi bem executado, o resultado fica muito bom. O motor AP também é extremamente resistente, a manutenção é simples e barata e as peças agregadas ao motor são em meu entender mais confiáveis e logicamente fáceis de comprar em quaisquer autopeças.
Dentre os modelos de motor AP, os mais indicados seriam os 1.8 e 2.0, jamais opte pelo 1.6. Por exemplo, um motor AP 2.0 injetado a álcool diria que fornecerá ao carro potência de sobra e dosar o pé no acelerador talvez seja necessário para evitar quebras na transmissão, principalmente em situações de trilhas. Uma configuração interessante seria 1.8 injetado Flex. Quanto ao kit de adaptação do motor AP, o modelo mais vendido e, portanto, testado e aperfeiçoado é o BR2000, fabricado e comercializado por Rogério Bacelar. A foto 12 abaixo mostra os componentes do kit BR2000.


Foto 12



Seguem alguns pontos de atenção em relação a Nivas com motor AP.



  • Verifique a proximidade do motor com a parede corta fogo. O motor fica bem próximo a parede mais não pode tocá-la. A parede corta fogo não deve estar recortada ou amassada para acondicionar o motor AP; 


  • O sistema de embreagem deve preferencialmente ter a seguinte configuração: Disco do Tempra 8V da marca Sachs ou Luk e Platô do Santana 2.0 necessariamente da marca Sachs;


  • Observe se existem interferências da carcaça do motor ou do cambio com a lataria do carro;


  • Observe se o munhão da direção não está tocando na caixa seca do cambio;


  • Observe a presença do suporte frontal do motor, ele é importante para alinhar o motor verticalmente; 


  • O sistema de arrefecimento deve estar funcionando adequadamente. Com a válvula termostática em operação normal a temperatura deve ficar em torno de 90C;


  • O indicador de temperatura do painel foi projetado para funcionar com o sensor de temperatura original do Niva. Se o indicador estiver ligado a um sensor pertencente ao motor AP, ocorrerá um erro de indicação de aproximadamente -22C;


  • O termostato deve ser instalado na parte inferior do radiador, ligando ventoinha elétrica em torno de 92C;

  • Os chicotes elétricos devem estar bem estruturados, sem fios soltos, emendados ou decapados.